A transição para a mobilidade elétrica já é uma realidade nas ruas de São Paulo. Com o aumento expressivo nas vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in, os condomínios residenciais e comerciais enfrentam um novo desafio: como adaptar suas garagens para oferecer pontos de recarga de forma segura, justa e dentro da lei? Recentemente, novas discussões e regulamentações têm surgido para organizar essa demanda. Neste artigo, explicamos o que muda e como o seu condomínio deve se preparar.
A nova realidade das garagens
Até pouco tempo atrás, ter um carro elétrico no condomínio era uma exceção. Hoje, é comum que vários moradores demandem infraestrutura de recarga. O grande problema é que a maioria dos prédios, especialmente os mais antigos, não foi projetada com capacidade elétrica para suportar múltiplos carregadores ligados simultaneamente. Ignorar essa limitação técnica pode causar quedas de energia, curtos-circuitos e até risco de incêndio.
O que diz a legislação em São Paulo?
A cidade de São Paulo possui legislação específica (Lei nº 17.336/2020) que obriga novos empreendimentos residenciais e comerciais a preverem a infraestrutura para recarga de veículos elétricos. No entanto, para os condomínios já existentes, a adaptação exige aprovação em assembleia e um projeto de engenharia elétrica detalhado.
Recentemente, o Corpo de Bombeiros de São Paulo também passou a discutir normas mais rígidas de segurança para a instalação desses equipamentos em garagens fechadas, visando mitigar os riscos associados às baterias de lítio.
Quem paga a conta da energia?
Este é o ponto que mais gera atrito nas assembleias. A regra de ouro da gestão condominial é clara: a coletividade não pode pagar pelo consumo individual. Ligar o carro na tomada comum da garagem, cuja conta vai para o condomínio, é proibido na maioria dos regimentos.
As soluções mais adotadas são:
- Medição individualizada: Instalação de medidores (relógios) específicos para a vaga do morador, conectando o consumo diretamente à sua conta de luz ou gerando um boleto separado pelo condomínio.
- Sistemas de gestão inteligente (Wallboxes compartilhados): Contratação de empresas terceirizadas que instalam carregadores nas áreas comuns. O morador destrava o equipamento via aplicativo e paga diretamente à empresa pelo que consumiu.
O passo a passo para a adaptação
Se o seu condomínio está recebendo demandas por pontos de recarga, o síndico deve seguir um roteiro seguro:
- Laudo técnico: Contratar um engenheiro eletricista para avaliar a capacidade de carga do prédio.
- Projeto de infraestrutura: Definir qual será o modelo adotado (individual ou compartilhado).
- Assembleia: Apresentar o projeto, os custos (se houver rateio para adequação da infraestrutura geral) e aprovar as regras de uso.
- Atualização do Regimento Interno: Incluir as normas claras sobre a instalação e o uso dos carregadores.
Conclusão
A chegada dos carros elétricos é um avanço positivo para o meio ambiente, mas exige responsabilidade e planejamento por parte da gestão condominial. Antecipar-se a essa demanda evita conflitos entre vizinhos e garante a segurança do patrimônio de todos.
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